Para quem já começava a duvidar da existência do senhor, aí está o veto presidencial à nova Lei Quadro para a criação de concelhos, que a maioria engendrou à pressa para poder elevar Fátima e Canas de Não-Sei-Aonde a concelho (claro que os panhonhas da oposição foram atrás, afinal muito mais importantes que todo este triste processo e do que as consequências para o país dos concelhos a metro são os votos nas próximas eleições).
Nota: Não, não me esqueci da palhaçada dos touros. Graças a isso não passa de um presidente sofrível.
O tal senhor impoluto que jamais juntaria futebol e política vai acompanhar o Primeiro-Ministro ao jantar de gala do 100º aniversário do Boavista F. C.
É só sentir os calos pisados que se esquecem facilmente os princípios e as convicções.
Juntava-se o PSD/Madeira e o PCP às organizações fascistas e ficávamos com a Constituição mais avançada do Mundo.
Uma das recordações que tenho dos Verões da minha infância é a chegada do circo. Que nunca falha, se bem que agora os palhaços são piores.
Depois do imberbe Bernardino fazer a sua profissão de fé no regime norte-coreano, o anafado Rúben, que é frontalmente contra a pena de morte, pois claro, vem dizer que se calhar em Cuba até nem se pode dizer nada quanto à aplicação da mesma.
Sou um acérrimo defensor da proibição constitucional a organizações fascistas. Começo a pensar que se calhar estender esta proibição para o PCP não era pior.
Lembraram-me ontem na TSF do célebre caso dos helicópteros, uma das primeiras não-medidas tomadas pelo político mais rasteiro da nossa praça.
Para os mais esquecidos, o senhor cancelou, escandalizado, um negócio de compra de uns helicópteros, com a justificação (justificadíssima) que o vendedor teria rebentado todos os prazos. E que com ele no poder isto já não era o da Joana. E que dali a 3 meses tudo estaria resolvido. Isto há 1 ano.
E isto fez-me lembrar o grande foguetório com que foi anunciada a ida de 120 GNRs para o Iraque. Que lhes aconteceu?
Como é possível que num programa dedicado à stand-up comedy onde são convidados Eduardo Madeira e Ricardo Araújo Pereira, o espaço nobre seja dedicado à boçalidade de Fernando Rocha?
Marcelo Rebelo de Sousa fez hoje na TVI a análise do Governo, findo o ano político. E como bom professor que é, dividiu o Executivo em 3 grupos: Muito Bom; Bom e Suficiente. Depois, ainda falou nuns que seriam Suficiente Menos.
Adivinhem em quem é que Marcelo não falou.
Não consigo cortar o cabelo ou fazer a barba sem me lembrar do Fantasporto de 1994 (ou terá sido 1995?) e de um fabuloso Peter Greene.
A A.I.P. saíu-se esta semana com a peregrina idéia que graças a uma Carta Magna para a Competitividade por si mesma publicada, Portugal vai, num prazo de 10 anos, entrar no Top10 da União Europeia.
Ainda não tinha eu acabado o flashback de quase 20 anos literalmente inundados em subsídios e medidas várias em que o país não saíu da cepa torta, quando aparece uma mole de carne luzidia e sorridente, também conhecido como o melhor primeiro-ministro de Portugal desde o 25 de Abril, que sem aviso dispara que acredita que até é possível em 5 anos.
Colega postador: sim, estamos mesmo entregues a energúmenos deste calibre.
Por que raio é que alguém pode incluír num processo de candidatura a um emprego uma declaração de nobreza? E o que é tal coisa? Quem é que estava a dormir em 1908? E depois em 1974? Nem revoluções sabemos fazer como deve ser.
E não me venham dizer que os países monárquicos estão mais avançados que o nosso. Há países que, apesar de monárquicos, estão mais avançados que o nosso, isso sim. Mas também não admira, não é?
A história começa com um ex-boxeur/ex-junkie feito ministro a tentar fazer contas, coisa que nunca devia tentar pois todos sabemos que faz doer a cabeça.
Carlos Pinto Coelho, julgando provavelmente que trabalhava na BBC, teve a lata de responder a semelhante personagem.
O ministro pensou para os seus botões, 'Deixa-os poisar...', e a coisa ficou por aí. Mas à primeira oportunidade (que é como quem diz, apresentação da nova grelha da RTP) mostrou que as substâncias menos legais consumidas há uns anos não lhe afectaram a memória, mas apenas a capacidade de julgamento; e vai de sacar de uma das suas marionetes (no caso o presidente da RTP) e anunciar o fim do Acontece, em mais uma corajosa medida para defender o serviço público de televisão.
Carlos Pinto Coelho, obviamente, soube pela comunicação social. Acontece.
Ninguém pode fazer nada contra isto? Estaremos realmente entregues a energúmenos deste calibre?
Não gosto de me comprometer com datas e prazos, até porque gosto de os cumprir.
Volto de férias cheio de vontade de trabalhar para encontrar restos de 1 maço de tabaco rasgado cuidadosamente em rectângulos na casa de banho do emprego. Ah, Agosto em Lisboa...
A fundadora da associação Abraço diz que «gosta de comprar guerras», fala da sida e da noite, afirma que adora fazer amor e conta como emagreceu 65 kg.Não vem na capa da Lux nem da Ana Atrevida; tão pouco da Vips. Vem na capa da Única, revista semanal que acompanha o jornal, perdão, o saco de plástico com papel para reciclar que dá pelo nome de Expresso. No seguimento da fabulosa entrevista a Filomena Pinto da Costa e antecipando o especial de 40 páginas sobre as férias de Dádá Pituxa na Polinésia Francesa.
Também na 1ª página do caderno principal desta semana podemos ler que Filomena diz-se agredida por Pinto da Costa. Se há coisa que me interessa é isso. Tenho pena porém que o Expresso não nos diga quantas mulheres portuguesas foram (alegadamente) agredidas pelos maridos no mesmo dia em que o incidente ocorreu.
Esta linha editorial fará todo o sentido em termos comerciais. Temos um país de atrasados mentais (vide audiências da SIC e da TVI) onde a desgraça alheia e a cusquice encabeçam a lista de preocupações da população. E ninguém é obrigado a comprar o Expresso, temos bons jornais como o 24 Horas ou O Diabo. Mas naquela redacção alguém tem um sentido de humor muito retorcido, dado o Código publicado a semana passada.
Um sábado na vida de um português:
- Compraste o Espesso?
- Deixei-o no carro.
...
- Tens aí o Espesso?
- Merda, deixei-o em casa
...
- Onde está o papel para forrar a gaiola?
- Aí nesse saco da Microsoft.
No seguimento do post anterior, alguém ainda concorda que o aparecimento das televisões privadas veio aumentar muito a escolha dos espectadores? Pois. A cobertura do país a 100% com TV por cabo devia ser uma prioridade tão grande como o foi a campanha da electricidade (que julgo ainda não ter terminado).
Pedro Lomba, num comentário sobre o estado a que chegou o programa de Herman José, diz que Ao transformar o seu programa de domingo numa galeria de freaks e alienados, típica de um qualquer Howard Stern, Herman deu um sinal de esgotamento (e mau-gosto) preocupante. Quem dera que chegasse aos calcanhares de Howard Stern. Herman já passou para baixo disso há muito tempo.
Leio no Diário de Notícias que a Câmara Municipal do Porto vai subsidiar o 100º aniversário do Boavista F. C. com 50000 euros.
É impressão minha ou foi o presidente desta autarquia que jurou acabar com a promiscuidade entre a política e o futebol? Que não assistiu a um dos momentos mais importantes do desporto da cidade nos últimos anos (por muito que não se goste de Pinto da Costa; ou da subjugação da vida nacional ao desporto rei, a final da Taça UEFA foi sem dúvida importante para a cidade)? Que por acaso até é adepto do Boavista F. C.? Qual é a credibilidade do senhor depois disto?
Para compensar, atribuíram também 20000 euros ao Círculo Portuense de Ópera, para as actividades de 2003. Assim tudo bem.
Venho lendo há alguns dias o Cerco do Porto, com enorme satisfação desde a 1ª hora, mas hoje rendi-me incondicionalmente:
Prende-se isto com a saloia divisão da blogosfera entre esquerda e direita, fiéis e infiéis, bons e maus, sendo uns ou outros bons ou maus, inteligentes ou boçais. Nem os comunistas comem criancinhas nem os de direita querem todos ver os comunistas fuzilados. E não estou eu aqui a pôr-me de um ou de outro lado, se é que isso tem alguma importância. O que importa é ter ideias, é ouvir as ideias dos outros, concordar ou discordar delas. Na blogosfera ou no mundo de carne e osso. E que, no fim da refrega, possamos todos ir beber umas cervejas ou uns copos de tinto, mostrando-nos à altura do desafio que é ser gente, não mais do que uma eterna luta por ser-se civilizado.
Como não acredito num direito de resposta com menos visibilidade que a opinião inicial (i.é., enterrado nos comentários), transcrevo aqui a resposta de Paulo Querido ao meu post Terrorismos, e acrescento uns pózinhos, pois claro.
calma lá, houve um erro de interpretação de Português algures. eu NÃO desculpabilizei fosse quem fosse ou o que quer que fosse. eu descrevi, em poucas palavras, grupos genéricos. o terrorismo é um acto de desespero, praticado por pessoas que (acham que) já nada têm a perder, nem sequer a própria vida, porque (acham que) lha roubaram.a descrição não qualifica nem desqualifica os actos de terrorismo. descreve apenas. e não inventei isso: houve quase consenso acerca do que motiva o terrorismo, desde o 11.9; limitei-me a usar a descrição em meia dúzia de palavras.
já agora: reflectirmos sobre o mundo à nossa volta, as motivações das pessoas e o que elas fazem não significa fazermos juízos de valor (culpar, desculpar) sobre tais motivações e actos.
se quer saber - e isto pode servir adenda ao meu artigo original (btw, obrigado pelo link) porque nele não emiti opinião sobre o terrorismo - condeno o terrorismo como condeno a criminalidade. lá por opinar sobre as origens respectivas, isso não me coloca do lado de lá.
há uma forma de terrorismo verbal, linguístico, que é interpretar mal as palavras escorreitas de outrém, descontextualizá-las e afirmar (e o mundo que não leu o original comerá por boa a afirmação) que "tal" pessoa disse "isto".
você está a praticar esse terrorismo linguístico. que, convenhamos, é bastante mais simpático -- aceitável até, numa discussão de café ou de blog entre pessoas civilizadas -- do que o terrorismo das armas...
um abraço.
Caro Paulo,
Viver implica fazer juízos de valor e tomar partidos. Sempre.
A maneira como li o seu texto pode não ter sido a correcta, mas felizmente existe o sistema de comentários para esclarecer eventuais mal-entendidos.
Não quis de maneira nenhuma insinuar que aceita o terrorismo dadas as motivações deste (que o serão no caso dos homens-bomba, mas estão muito longe de o ser nas cúpulas das organizações), apenas me senti incomodado por depois de dois parágrafos que reflectem exactamente o que penso da actividade política se seguir um outro que ao olhar mais diagonal poderia sugerir exactamente aquilo que eu disse: a desculpabilização do terrorismo.
Quanto ao meu terrorismo verbal, fiz os possíveis por não ir por aí, e citei, como diz no seu comentário, a descrição dada para os terroristas (além de linkar para o artigo completo).
Um abraço.
No Dicionário do Diabo procurem um post intitulado Faucismo. Aí substituam fascista e extrema-direita por comuna e vermelho e esquerda por direita. Leiam novamente.
Há um nome para este tipo de argumentação, mas não me lembro agora.
Paulo Querido oferece-nos a primeira parte da sua visão sobre a política neste post.
Vou lendo e concordando cada vez mais, até que ele desculpabiliza os terroristas de maneira incompreensível (os que já nada tem a perder, nem sequer a própria vida, porque tudo lhes roubaram). Não havia necessidade.
O que é que se podia esperar de uma pessoa que no dia antes de ser Ministra da Justiça esperava ser Secretária de Estado das Finanças? Não há milagres.
José Miguel Júdice, Bastonário da Ordem dos Advogados
Há alguns anos faltei a um concerto dos Pixies porque tinha um exame na manhã seguinte. Nunca me perdoei. Agora que o ex-vocalista diz que não está afastada a hipótese de se reunirem para tocar ao vivo, tenho a certeza que se o fizerem não passam por Portugal. E se passarem eu não vou estar cá de certeza.
Carpe Diem.
É preciso falhar a electricidade para ouvir o rio como deve ser. E é noite de lua cheia.
Se vivesse num país civilizado em que não há quebras de energia sem motivo aparente, numa calma noite de Verão, na capital desse país, não gozava nada disto.
Mais ninguém neste país reparou que Pacheco Pereira não pára de discutir a traição (a coberto de Camus, é certo), numa semana em que no Expresso Freitas do Amaral afirma que cancelou uma peça sua em que o Ministro da Defesa trai o Primeiro-Ministro? É por estas e por outras que sou obrigado a gostar de JPP.
Passou-se um dia, depois dois... Deixei correr mais dois dias até agarrar no telefone para insultar quem não me respondia ao correio-e e tinha deixado o blog (não vamos em portuguesismos apressados) no ar. Para ser lembrado que esse alguém estava de férias.
Em jeito de introdução, até o escritor de serviço voltar, basta dizer que não gostamos de quase nada.
Não gostamos de gajos de esquerda. Não gostamos de gajos de direita. Não gostamos da esquerda nem da direita. E sobretudo não gostamos dos idiotas que dividem o mundo em esquerda e direita.
Não gostamos da parolada que transforma os media deste país em lixo. Não gostamos dos intelectualóides armados em Grandes Educadores.
Não gostamos desta coisa a que chamam país. Não gostamos dos imbecis que dizem que é só irmos embora.
Gostamos de livros; de música e de televisão (deixámos de ir ao cinema quando comprei o sofá, eu, e ele o DVD).
Eu pessoalmente não gosto de terminar textos.