Como fez questão de tornar público, a outra metade deste blog vai a banhos (para uma ilhota qualquer no 3º mundo, onde manda um déspota iluminado). Bon voyage.
Quer isto dizer que das viagens entre Lisboa e um tugúrio alentejano a que tenho por hábito chamar férias, não sobrará muito tempo para a escrita, pelo que a actividade baixará abaixo dos 50%, certamente. O que não é necessariamente mau.
Diz Segismundo, um dos danados de serviço,
Pois da fé, que é verdadeira fé, não deve ter-se vergonha, mas dar-se publicidade. É isso o respeito.
Que se tudo correr como previsto será daqui a 9 dias, pois na ilha para onde vou o custo do GPRS é proibitivo.
Além disso, fui ameaçado que a actividade sexual será inversamente proporcional à proximidade de computadores e afins, daí que...
Ok, talvez só um post não faça mal.
As mentes pensadoras que por cá peroram sobre o estado da Justiça podiam olhar para isto.
Um dia destes deixo de escrever. O Cerco, mais uma vez, adianta-se e fala das touradas (que eu já aqui referi ao de leve num post anterior, sobre a intromissão miserável de Jorge Sampaio no caso de Barrancos).
Apenas uma nota, relativa às tradições: que acharão os energúmenos da excisão, essa tradição secular? Decerto não se importariam de ver as filhas submetidas a tal tratamento, para não deixarem morrer a tradição.
Como Marcelo Rebelo de Sousa afirmou na sua intervenção televisiva de Domingo, o que ficou do discurso de Ferro Rodrigues em Portimão foram as críticas a Paulo Portas, e não a apresentação das propostas do P.S. (Marcelo, já agora, começa a irritar-me: o que lhe interessa é o que este ou aquele político ganham com a forma que usa para apresentar as suas idéias, pouca atenção dá às idéias em si).
Além disso, demorou um (1) ano e meio para descobrir que quem governa o país é um partidozeco de anafados saudosistas (alguns quase menores, pelo que não percebo do que têem saudades) que teve 8% de votos? Se Ferro estivesse no lugar d'O Mais Útil Idiota do Mundo (tm) estava agora a congelar as contas do Hamas.
Leio e encosto-me para trás na cadeira. O Guerra e Pás anunciou o fim. Evidentemente que todos esperamos que seja o Sol a mais, e que findas as férias, continue, na forma de sempre.
Por outro lado, como escreveu depois no Aviz,
... nós temos esta característica irritante do elogio póstumo (e o meu blog é a prova disso; nunca fui tão elogiado e nem sequer vi um “ainda bem que o gajo se foi embora”). Caraças, se gostam mesmo de outros blogs, de outras pessoas, digam-lhes isso mesmo enquanto eles estão vivos.
Mea Culpa, também.
O Mais Útil Idiota do Mundo (ah, o que os Monty Python não dariam por este título) anunciou que os E.U.A. vão congelar os bens de dirigentes do Hamas, e instou todos os países a fazerem o mesmo. E isto apenas 2 anos depois do 11 de Setembro e algumas centenas de vítimas!
É assim mesmo! Não lhes podemos dar tréguas!
As férias intermitentes, com viagens praticamente diárias entre Lisboa e uma praia qualquer no Alentejo, fazem com que não tenha tanto tempo/vontade para passar pelo blog, qual português a ligar para o emprego por causa da gripe.
Felizmente que se acabaram há muito as férias para a minha companhia nestas lides, que vai tocando o barco.
Entretanto, como hoje vim dormir a Lisboa, vou aproveitar para não dormir e escrever alguma coisa (desculpem lá).
Algures numa praia em Portugal, reparo num restaurante junto à estrada que leva ao areal. Tem escrito em letras gigantes Chez Daniel. E depois por baixo, letras um tudo-nada mais pequenas, O Rei da Caldeirada. Pois deve ser.
Hoje de manhã a caminho do emprego, pela marginal, passam 2 carros em sentido contrário que me fazem sinais de luzes. Reduzi imediatamente a velocidade (os bons cidadãos pensem se fazem a marginal a 50 km/hora, antes de ficarem revoltados com a minha falta de civismo) para baixo do limite legal. Certo e sabido, 500 metros à frente estavam 3 ou 4 agentes com a respectiva banca e máquina de calcular.
As duas pessoas que me fizeram sinais de luzes fazem prevenção, os agentes fazem caça à multa.
Estou estupefacto... Decerto é mais uma invenção da imprensa comunista! Felizmente que o Dr. Rangel vai acabar com isto depressa. Allez!
No post anterior declarei-me em total acordo com João Pedro Henriques relativamente a um post seu. Hoje de manhã ao ler o blog de Francisco José Viegas deparei-me com um desabafo deste em relação àquele.
Não identificando imediatamente o porquê do sentir de FJV, dei um salto ao Glória Fácil para tentar perceber. E vi que JPH tinha linkado as palavras defensores da invasão com o Aviz (o blog de FJV).
E foi aí que reparei que o acto de linkar certas palavras com um site é como uma nota de rodapé num livro: uma chamada de atenção para algo que é elaborado noutro lado. Com uma diferença significativa: uma nota de rodapé é explícita, obriga o leitor a, se não a lê-la, pelo menos a saber que ela existe. Um link nem por isso (o browser até pode estar configurado para não mostrar os sublinhados e ignorar a formatação diferente em que os links são normalmente apresentados), porque ao contrário dos livros, na web não se encontra a nota de rodapé no dito cujo. É obrigatório seguir o link, ou passar com o ponteiro lá por cima para ver para onde aponta.
Pela minha falta de atenção, peço desculpa a FJV, se ele algum dia ler isto. Continúo a concordar com todo o resto do post de JPH.
Leitura obrigatória no Glória Fácil sobre a discussão mais estúpida da última década: o post de João Pedro Henriques intitulado 'Luso-Papagaios'.
Subscrevo e assino por baixo.
O défice previsto no anterior Orçamento foi atingido em Novembro. O previsto para o Orçamento actual foi atingido em Julho.
Isto pelas mesmas pessoas que diziam cobras e lagartos (e com muita razão) dos governos de Guterres e dos seus ministros da Economia e Finanças e respectivas práticas orçamentais.
Isto acontece no melhor governo desde o 25 de Abril, como está na moda dizer, que ia tirar o país da tanga e vesti-lo de Armani.
E como se resolve este problema? A Caixa Geral de Depósitos compra ao Governo uns imóveis no valor de uns milhões de Euros. Que é como quem diz, tira-se da carteira para guardar no bolso. Para juntar o insulto à injúria, o Estado, que é locatário de alguns dos imóveis em causa, passa a pagar renda à CGD! Brilhante!
Paulo Querido diz aqui que com o campeonato de futebol e a reentré política, os incêndios vão caír no esquecimento até Maio. Estou de acordo, mas infelizmente, como já aqui disse anteriormente, tudo, inclusivé opções como esta, cai depressa no esquecimento, subjugado ao fabuloso futebol.
Por tudo isto é que acho que este ano o Governo teve um trabalho de relações públicas fácil: os incêndios gigantescos a encherem horas de telejornais e a gastarem resmas de papel (e muito bem, exceptuando o inevitável apelo à lágrima fácil sem o qual as nossas televisões não vivem) fizeram esquecer tudo o resto até agora; a partir daqui o futebol encarrega-se desse papel.
Isto não devia acontecer numa democracia dita moderna. É tão triste que nem dá para fazer a piadinha fácil.
Obviamente que a principal causa é económica, afinal na TV Cabo há canais com conteúdos pornográficos que são pagos, e o Canal Viver-Íntimo fornece o mesmo conteúdo de graça, devendo por isso o grupo PT perder meia-dúzia de Euros.
Mais uma vez temos um Estado a impôr uma qualquer medida de moralismo, ainda por cima para encobrir o protecionismo do costume. Na boa tradição das ditaduras.
Mas nem tudo se perde: o diploma (citado pelo Correio da Manhã) diz ainda:
Os canais devem respeitar a dignidade humana e não emitir programas contendo pornografia em sinal aberto.
Os programas susceptíveis de influírem de modo negativo na formação da personalidade das crianças/adolescentes ou de afectarem outros públicos vulneráveis só podem ser transmitidos entre as 24h00 e as 06h00 e acompanhadas da difusão permanente de um identificativo visual apropriado.
E por último, como é que um governo que tem em tanta consideração as contas que faz, só dá um espaço de 6 horas para as 3 televisões generalistas nacionais meterem 12 horas de programação?
Foi mostrado o 1º cartão amarelo da Superliga, que começou hoje. Foi um momento tocante, e estou grato por ter um familiar que tem que ver todos os jogos de futebol do mundo e me permitiu ver este acontecimento.
Se este Governo tivesse alguma visão, arquivava o processo da pedofilia; marimbava-se nos incêndios; dava carta branca ao senhor que gosta de fardas; nomeava o palhaço madeirense ministro das finanças; encerrava os hospitais e punha a Manuela a cobrar bilhetes no estádio da Luz. E legislava uma duração de 12 meses para a Superliga.
A partir de hoje os problemas deste país resumem-se a foras-de-jogo.
Adenda: Estava eu a fazer a ronda pelos blogs do costume quando me deparo com este texto de Statler no Blogue dos Marretas:
COM COISAS SÉRIAS NÃO SE BRINCAHá uma semana fiz uma piada sobre os incêndios. Nem uma "marretadinha" dos leitores do blogue. Na madrugada de quarta-feira, escrevi sobre a voluptuosidade das adolescentes em biquini e ninguém comentou. A noite passada manifestei alguma satisfação pela derrota do Benfica e a blogosfera no activo caiu-me em cima.
(Para os menos atentos, e antes que venham os tipos do DIAP, da Protecção das Florestas e o João Malheiro bater-me à porta, nenhum dos postes acima referidos foram escritos com o tom sério dos artigos do Expresso.)
Moral da história: Nem incêndios, nem pedofilia. O que realmente preocupa e mobiliza os leitores dos Marretas é que o Benfica não vá à Liga dos Campeões.
As principais cidades norte-americanas e canadianas estão sem electricidade. Se eu mandasse alguma coisa naquilo começava já a construír maternidades.
Rejubilemos! O Ministro da Administração Interna anunciou ontem que estaria pronto em 15 de Outubro um Livro Branco sobre os incêndios.
Até 15 de Outubro deve dar tempo, mais coisa menos coisa, para ouvir 3 ou 4 ministros e incorporar o contributo de 1 ou 2 bancadas parlamentares (a do PSD e a do PP, por exemplo).
Vamos portanto ter uma versão oficial e impressa de todas as razões pelas quais este governo não tem responsabilidade nenhuma pelo que se passou, e concerteza que haverá lugar a elogios e comendas para este ou aquele governante mais esforçado.
Se ao menos o publicassem em forma de rolo, teria alguma utilidade
O Almanaque Borda D'Água escolheu para a secção Juízo do Ano, na sua edição de 2003, a defesa dos peões. Ou melhor, Peões.
Depois de enumerar algumas definições constantes do Código da Estrada, e denunciar alguns dos mais vulgares abusos a que os Peões são sujeitos diariamente, o Almanaque sugere algumas soluções, que cito:
E, fundamentalmente, uma maior fiscalização, muito apertada, para que exista o maior respeito no que se refere aos estacionamentos proibidos.
Se Pedro Santana Lopes comprasse o Almanaque talvez não assistíssemos diariamente à transformação de baldios em grandes rectângulos alcatroados e a obras que perpetuam a ditadura dos carros, transformando Lisboa na capital mais atrasada da Europa, também neste campo (confesso que não vou a Atenas há 6 ou 7 anos, mas não acredito que esteja pior).
Deviam substituír o Diário da República pelo Almanaque Borda D'Água, nem que fosse à experiência, por 6 meses. Pior não ficávamos.
Na página de Agosto encontramos a seguinte nota:
Evitar o fogo na mata. Há que limpar e desbastar o mato e não fazer fogueiras nem queimadas sem comprovar que não há quaisquer riscos de o fogo se propagar.
Hei-de voltar mais tarde a este magnífico Almanaque.
Todos os dias ao voltar a casa passo em frente a um hospital, em Lisboa. Hoje eram 19:45 quando lá cheguei. Num cruzamento a 10 metros do hospital estavam 2 carros parados, tinham dado o proverbial toque um no outro.
Entretanto saí para jantar, e voltei a passar lá agora (00:05) e ainda lá estavam. Mas já lá estava a polícia, nada de confusões!
Eu compreendo que com a escassez de agentes a polícia demore algum tempo a chegar a alguns lados; e nem quero falar na indignação das pessoas envolvidas. Não posso é compreender o que aconteceria com uma catástrofe que inundasse aquele hospital.
O homem andou dois anos de repartição em repartição, de guichet em guichet, para obter um papel que lhe permitisse abater 60 pinheiros, por forma a aumentar uma linha corta-fogo.
Esta semana finalmente viu o seu problema resolvido.
Uma loura remete-me para um desmentido no diário digital, em que um irado Primeiro-Ministro nega veementemente que tenham existido cortes orçamentais no que à floresta diz respeito:
«São mentira! (as notícias que dão conta dos cortes orçamentais) O Governo aumentou muito a ajuda através das associações. Não houve um único fogo este ano que não tivesse sido detectado através do sistema de prevenção que está montado. A Direcção Geral de Florestas este ano funcionou perfeitamente".
Para a próxima tentamos evitar que eles sejam detectados, boa?
Sempre que neste santo país acontece uma qualquer desgraça, vêem as virgens todas a terreiro exigir que não se explore políticamente a situação, por respeito às vítimas da mesma.
O resultado prático disto (além das facadas sempre dadas por alguém que se distrai) é que as vítimas da desgraça ficam sempre a olhar, vendo tudo exactamente como estava antes, e sem terem sequer o parco consolo de lhes serem apontados os responsáveis pela condição em que agora se encontram.
E infelizmente aí estão elas novamente, desta vez por causa dos incêndios. Porque não se pode fazer um aproveitamento político da situação, não podemos exigir responsabilidades a (mais) um ministro inexistente. Não podemos recuperar as promessas dos partidos no governo na última campanha eleitoral. Não podemos falar na redução nos orçamentos para a prevenção e meios de combate a fogos, no último ano. Não podemos perguntar por onde andava o governo até Domingo. E ai de quem disser que apenas meia-dúzia de militares saíu dos quartéis para se juntar às várias corporações de bombeiros no terreno.
Há duas coisas que concerteza vão acontecer no fim de todo este triste processo: não vão haver culpados materiais (no máximo, um demente mental, talvez) nem responsáveis políticos; e para o ano vai continuar tudo na mesma.
Para além do alívio óbvio no PSD com o veto do Presidente à nova Lei Quadro para os concelhos, outra coisa salta à vista: os comentários elogiosos de toda a oposição a Jorge Sampaio, e que assim é que está muito bem. Querem ver que entre o dia da votação e o dia do veto mudaram os deputados todos? Palhaços!
Este governo (além do itálico, uso a palavra no seu sentido mais lato) mete-me nojo.