A caricatura que Belmiro de Azevedo fez do Governo pode ser boa, mas o raio-x com exposição impecável é sem dúvida de Miguel Sousa Tavares (obrigado Loura).
Sua Excelência o Primeiro-Ministro anunciou, para alívio dos franceses, que Portugal não vai pedir sanções para a França por incumprimento do limite para o défice público, porque somos um país amigo da França.
E, como toda a gente sabe, os amigos estão isentos dessa coisa do rigor, ou lá o que é.
O grande intelectual Telmo Correia, na sanha de limpar a Constituição da República de referências socialistas, anda agora a usar como argumento que o lugar das coisas históricas é em museus e não na Constituição.
Será possível não haver ninguém que lhe pergunte se é isso que pensa sobre as referências à influência cristã na Constituição Europeia?
Seguindo o conselho do Paulo Querido, resolvemos experimentar o serviço de publicidade BlogSnob.
A utilidade será duvidosa, mas não dá trabalho nenhum e dá algum gozo pensar nos business plans que se construíram durante a bolha baseados exactamente em esquemas de troca de links. Aprovado!
Magistralmente traçado por Belmiro de Azevedo (esse perigoso vermelho, como todos sabem):
Um Ministro manda uma boca e espera pelas reacções na Comunicação Social. Passados dois dias manda outra boca e vê a reacção, decidindo depois se prossegue ou não.
[Adenda]
Julgo que a excepção ao lamaçal descrito por Belmiro será a Ministra do Défice; mas para tomar as decisões que toma (algumas das quais a própria admite depois serem estúpidas) mais valia fazer como os outros.
Zé Diogo Quintela no Gato Fedorento:
Ouço a Provedora da Casa Pia dizer que, neste caso da pedofilia, “somos todos [portugueses] responsáveis”.
Eh, pá, desculpem lá, mas eu não sou. Não sou pedófilo. Não tenho conhecimento de que alguém das minhas relações seja. Não sabia da história da Casa Pia até à prisão do Bibi. Vão-me desculpar, mas eu não tenho nada a ver com isto.
A léria do “somos todos responsáveis” é só uma variação do tipicamente português “ninguém tem a culpa”. É uma forma de irresponsabilidade sofisticada. Alguma luminária diz: “rapaziada, desta vez, a culpa não morre solteira! Vamos todos casar com ela!” Como somos todos, acaba por não ser ninguém a cumprir com os deveres conjugais.
Mas isso não pega. Há responsáveis? Claro. São muitos? Certamente. Mas não são "todos nós". São (e faço contas de cabeça): os pedófilos; os angariadores; os facilitadores (dentro da casa pia); toda a gente (funcionários da Casa Pia, parentes de pedófilos e das crianças, etc) que soube e calou; os agentes da autoridade que tiveram conhecimento e que abafaram. Haverá mais, não sei.
Agora, eu não sou de certeza. Não me tentem arrastar para isto.
Embora não nutra especial (ou alguma) simpatia pelos sindicatos, tenho que aplaudir o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública, que lançou hoje um jornal satírico que pretende ser o orgão oficioso do Governo.
Chama-se 'O Estúpido'.
A partir de hoje, os Senhores Directores Gerais vão poder nomear os quadros intermédios sem recorrer a concurso público, para que não sejam introduzidos elementos que possam perturbar a acção das direcções.
Este governo continua empenhado em fazer o anterior parecer bom. E consegue.
A julgar pelo que dizem, ou Amílcar Theias tenta a todo o custo ser demitido, ou Durão Barroso mente.
A primeira compreende-se, a segunda já se tornou um hábito.
A Forbes faz uma análise aos negócios e ao dinheiro que gira em torno da cannabis.
A cannabis foi ilegalizada por questões financeiras: quando os lobbies das papeleiras perceberam que não podiam competir nem em qualidade nem em preço com os produtos feitos a partir de cannabis, trataram de encher os bolsos a quem de direito, et voilá; uma droga terrível e um estigma social para a mesa do canto, se faz favor.
Entretanto, os netos dos senhores que a ilegalizaram repararam que há muito dinheiro a ganhar com a cannabis, mas vender droga é não só ilegal mas também uma coisa muito feia, e só os maus é que fazem isso. Daí que ultimamente cada vez mais governos discutam os usos terapêuticos e apareçam com fórmulas verdadeiramente progressistas relativamente à despenalização do consumo.
Se há dinheiro envolvido, podem apostar que os poderes de facto vão lá estar a certificarem-se que ninguém lucra mais que eles, sem no entanto darem a imagem de serem o que realmente são (uma corja de abutres); por isso nada como pôr em curso quanto antes a campanha de reabilitação pública da cannabis.
Não que por aqui até nem se consuma, mas nunca foi preciso que nos dissessem que tal era aprovado pelo Ministério.
Preparativos e Execução
Cria-se a Secretaria de Estado das Florestas, para defender as ditas. Promove-se um defensor do eucalipto, vindo da Portucel, a Secretário de Estado.
Finalização
Segundo a Quercus, o Instituto da Conservação da Natureza deixa de ser tutelado pelo Ministério do Ambiente, passando para o guarda-chuva do Ministério da Agricultura (onde está a acima referida Secretaria de Estado). Para juntar o insulto à injúria, o ICN perde a tutela das áreas protegidas. A Quercus, a Liga de Protecção da Natureza e o próprio Ministro do Ambiente, protestam e falam em favorecimento de interesses privados acima do interesse do país (não pode!!); e o presidente do ICN admite demitir-se. A oposição manifesta-se em peso contra a medida, e dentro do PSD há vozes contra ela.
Mas é tarde demais. A decisão está tomada, e todos sabemos que este Governo não volta atrás (excepto quando se trata de um lobby económico ou qualquer coisa assim). A floresta portuguesa é para acabar. Até porque, na linha do raciocínio desse brilhante pensador que é George W. Bush, sem floresta não há incêndios.
Acabei de ler as confissões do Senhor Arquitecto que é Director do Expresso.
Não vale a pena instaurar mais inquéritos, nem culpar os sucessivos governos deste ou daquele partido pelo estado da nação.
Este homem é o responsável por tudo o que tem acontecido a Portugal, desde 1973 até hoje. E não tem medo de o dizer!
Do que é que estão à espera para o ir buscar a casa? Das 3 da manhã de Sábado?
Que se encerre um local que é o garante de sobrevivência de algumas centenas de pessoas, não lhes dando nenhuma alternativa, por causa da hipotética vitória na organização de um evento desportivo parece-me algo digno da China maoísta. Ah, esperem lá...
Do Cidadão Livre, via Adufe
O governo nomeia actualmente os presidentes dos Conselhos de Administração das empresas que detêm os seguintes meios de comunicação:
DN, JN, TSF, Grande Reportagem, 24 Horas; Jornal do Fundão, Diário de Notícias da Madeira, Açoriano Oriental, RTP1, RTP2, RTP Internacional, NTV, RTP África, RTP Açores, RTP Madeira, Teletexto, Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África, RDP Internacional, RDP Açores, RDP Madeira, RDP Norte, RDP Centro, RDP Sul, TVCabo, Lusa e Portal Sapo.
A senhora Ministra dos Negócios Estrangeiros disse há dias que o valor avançado pela comunicação social para o donativo português ao Iraque era completamente irrealista e não tinha fundamento nenhum. Onde é que Portugal tem nesta altura 20 milhões de euros para dar? Vamos ajudar com a GNR, é preciso não esquecer. Disse a senhora.
Foi agora anunciado que o donativo português será de 17.5 milhões de euros. Muito diferente, portanto.
[Adenda]
Vi agora a sra. Ministra a discursar, quando fiz o post original estava a ouvir um jornalista na TSF. A sra. Ministra avalia em 15 milhões de dólares (euro? ahn?) as despesas com a GNR até ao fim de 2004.
O Paulinho Peixeiro, depois de ter convocado com carácter obrigatório uma centena de mancebos para as comemorações do Dia da Defesa Nacional, lembrou-se que tinha a roupa na lixívia e não apareceu lá no primeiro dia.
E assim continua a insultar os portugueses a seu bel-prazer, e a dizer ao maior partido português que não vale nada sem ele e portanto faz o que bem lhe der na gana. E os imbecis fazem que sim com a cabeça enquanto procuram a bisnaga da vaselina.
As mesmas pessoas do post anterior, que tantas vezes invocam (e bem) o muro como símbolo de uma vergonha passada, curiosamente também nada dizem quanto ao novo muro.
A empresa que constrói as máquinas que contam os votos em 37 estados estado-unidenses introduziu-lhes algumas features engraçadas, como apagar votos sem que isso fique registado, entre outras.
Engraçado como os sabujos do costume que dizem Ámen a tudo o que tenha o carimbo U. S. of A (principalmente se esse carimbo tiver as iniciais GWB por baixo) não falem neste caso...
Santana Lopes terá chegado à conclusão que Frank Gehry e sus muchacos ganham bem demais.
Tudo se passou na última visita de Frank Gehry a Lisboa, quando, entre o 4º e o 5º whiskies, Santana terá dito: Olha lá Frank, já ando para te perguntar isto há uns meses, mas nunca calhou, eu até nem sei se deva... Ao que o outro respondeu Então pá, ao fim de tanto tempo já temos à vontade suficiente para perguntarmos o que quisermos um ao outro!. Pois, eu ando aqui com uma curiosidade... Quanto é que me vais cobrar por isto do Parque Mayer?
Aparentemente o valor referido terá sido superior ao que PSL considerará justificável. Podia era ter feito a pergunta logo no início e poupavam-se concerteza umas largas dezenas de milhares em viagens; jantares; hotéis e essas coisas indispensáveis a todo o empreendimento do género.
A simultaneadade dos comentários semanais de José Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa devia ser proibida por lei. Sendo nos dois casos dominados pela lucidez dos intervinientes, atrevo-me mesmo a sugerir a obrigatoriedade do visionamento destes espaços (pelo menos para quem desempenhe algum cargo político).
O que me ficou do zapping de hoje foi a admissão de Pacheco Pereira que a palavra de honra de Martins da Cruz terá sido dada com reserva mental relativamente a outras pessoas terem mexido os cordelinhos, parecendo assim esquecer o cheque em branco que passou há uns dias no Abrupto à dita. Pacheco Pereira não tem na SIC a fé inabalável no que diz que mostra no Abrupto.
Marcelo Rebelo de Sousa fez uma análise brilhante da libertação de Paulo Pedroso, tanto do ponto de vista jurídico como do ponto de vista político. A melhor performance de Marcelo de há algum tempo para cá, sem dúvida.
As intervenções de Marcelo podem ser encontradas na íntegra no site do Diário Económico, as de Pacheco Pereira não sei se existem online, pelo menos não as encontrei no site da SIC.
O Ministro da Defesa convocou todos os mancebos para umas comemorações em Lisboa, para os sensibilizar para a importância do serviço à Pátria. A presença é obrigatória e a falta só justificada por motivo de força maior.
O Primeiro-Ministro, como sempre, nada diz e deixa o energúmeno fazer o que quer que lhe passe pela desvairada cabecinha, em nome da solidez da coligação. Algumas coisas me passam a mim também pela cabeça:
Diz o Público que o dinheiro depositado nas contas de solidariedade com as vítimas de incêndios ainda não chegou aos beneficiários. Nem é nada costume...
Na Spectator de Sábado passado podemos encontrar um artigo escrito por um deputado da Forza Italia defendendo Berlusconi (e as suas afirmações em entrevista à mesma publicação) quanto ao facto de Mussolini ter sido um ditador benigno e não aquilo que os vencedores da guerra (perigosos esquerdistas) pintaram.
O líder dos tories ingleses instou Tony Blair a demitir-se e a acabar com o seu governo mentiroso e incompetente, entre outros mimos. As virgens do costume, que normalmente bradam aos sete ventos contra apelos do género visto o alvo ser um governo eleito democraticamente, desta vez não dizem nada.
E assim vão rindo e cantando...
George Bush disse que não podia deixar o povo americano à mercê dos actos ilegais de um louco. Espera-se a sua renúncia a qualquer momento.
Segundo o Público, a produtividade melhora com melhores remunerações e prémios.
Estes senhores precisam de uma estadia para re-educação no Tarrafal. Toda a gente sabe que a produtividade melhora é com mais horas de trabalho (de preferência a começar de noite, ainda) por semana e uma redução do salário real, para aprenderem.
Não é com estudos que depois apresentam conclusões destas que o país vai para a frente.
Bem, agora que já não são governantes será que já podem ser julgados? Ou, pelo menos, fazer-se uma investigaçãozinha... Não? Prontos, desculpem lá, já cá não está quem falou.
No Contra a Corrente está um link para isto.
Ao princípio não acreditei, depois segui o link. Alguém dê um prémio a quem está a ter este trabalho.
O Telejornal do Canal 1 da RTP, que ainda é pago por todos nós, apresentou uma peça sobre a situação miserável que se vive nas ruas da zona dos Anjos.
Entrevistados, vários consumidores de droga, nenhum toxicodependente. Ainda falam em desinvestimento do Estado, sinceramente...
O Cruzes-Canhoto aponta-nos para um site que visa promover um debate entre os americanos quanto ao papel dos E.U.A. no mundo. Isto apoiado por organizações de todo o espectro político.
Imagino os Jaimes Gama que por aí andam a tremerem como varas verdes.
Paulo Querido manifesta-se contra a demissão de Pedro Lynce por causa de um acto administrativo que permitiu a uma boa aluna continuar os estudos. Diz ainda o Paulo que demitir um Ministro por uma mesquinhez é um atentado à política.
Como já terá sido deixado aqui claro, temos no Blog Anónimo uma opinião completamente oposta a esta (aqui; aqui; aqui e ainda aqui, para além deste post).
Para além do que foi dito no Adufe.pt e num comentário d'O Gin Tónico ao post do Paulo, gostava de acrescentar algumas coisas:
Entretanto, Pacheco Pereira faz tábua rasa da credibilidade que acumulou e tenta desastradamente desculpar o caso agitando o fantasma do populismo. Geralmente Pacheco Pereira alerta para o populismo verdadeiramente dito, mas desta vez é só agitar o fantasma, numa tentativa de salvar a honra do convento.
A par de Pacheco Pereira, alguma direita tenta desculpar o caso denunciando (oh, surpresa!) o facto de metade do país fazer favores do género à outra metade. Terão talvez razão, vivemos no país do amiguismo; caciquismo e outros ismos. É assim que pensam que se acaba com os eles, perpetuando-os? (Nota: ainda não fiz a volta dos blogs hoje, mas deve haver mais vozes de direita neste tom, apoiadas agora no editorial do Director do Expresso. O jornal de que adoram dizer mal nos outros dias.)
Para terminar, no filme de Peter Greenaway as personagens que dão nome ao título são 4, no caso deste post são 3. Em princípio quem é Ministro não pode acumular o cargo com o de Amigo. Não foi o caso.
As acusações de favoritismo feitas a Pedro Lynce são maldosas falsidades.
Ele escreve no despacho que o mesmo procedimento deve ser usado nos casos similares.
Assim se prova que Pedro Lynce não tem Ministros favoritos, todos terão direito a ter os filhos na universidade automagicamente.
Uma demissão que não devia ter acontecido, obviamente.
Martins da Cruz admite que sabia que o requerimento submetido era ilegal, mas não queria ver a filha prejudicada (coitadinha, o que deve sofrer) pelo facto de ele ser governante (à força, supõe-se).
Durão Barroso diz que tem toda a confiança em Martins da Cruz.
Para bom entendedor...
Circulem, por favor circulem! Não há nada para ver! Não se passa nada! Circulem!
Há excepções à Lei que não vêem na Lei.
Director-Geral do Ensino Superior sobre a cunha que Martins da Cruz (Ministro dos Negócios Estrangeiros) meteu a Pedro Lynce (Ministro da Ciência e do Ensino Superior) para que a filha entrasse em Medicina na Universidade Nova de Lisboa.
Desenvolvimentos aqui.